Há meses que são apenas mais um mês. E há meses que marcam uma mudança permanente.
Agosto de 2026 foi um desses. Pela primeira vez, os veículos elétricos (BEV — Battery Electric Vehicle, 100% a bateria) ultrapassaram sozinhos, sem contar híbridos, 36% de todos os carros novos vendidos em Portugal num único mês. O mercado automóvel português cruzou um limiar que há dois anos parecia otimismo excessivo e que hoje é simplesmente a realidade.
Nos nossos stands, trabalhamos exclusivamente com elétricos usados. O que significa que quando o mercado novo cresce assim, nós sentimos esse crescimento do outro lado: mais modelos a entrar em circulação, mais historial a acumular-se, mais oportunidades a formar-se no mercado de segunda mão. Este artigo é a nossa leitura dos dados de agosto, diferente do que escrevemos em junho, porque o mercado também mudou.
O número que define agosto
73,8%.
É a quota de elétricos no total de ligeiros de passageiros novos vendidos em agosto de 2026. Em junho eram 68%. Em dois meses, o mercado avançou quase seis pontos percentuais.
A mobilidade elétrica continua a ganhar peso no mercado automóvel. Dos 14.086 veículos vendidos, 10.391 pertencem ao mercado eletrificado, o que representa uma quota de 73,8%.
Dentro deste universo, os elétricos 100% elétricos (BEV) lideram, com 5.079 unidades vendidas, correspondentes a 36,1% do mercado.
Os híbridos elétricos (HEV) registaram 2.847 unidades, com uma quota de 20,2%, enquanto os híbridos plug-in (PHEV) alcançaram 2.465 unidades, representando 17,5%.
Mas há um número igualmente importante que está a passar despercebido: os PHEV caíram 9,1%. Pela primeira vez desde que os híbridos plug-in ganharam expressão em Portugal, registam uma queda significativa num mês de referência. O comprador português está a decidir e está a decidir pelo elétrico puro, não pela solução intermédia.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, circulam já mais 45.388 BEV novos nas estradas portuguesas, cada um deles um futuro elétrico usado com historial verificável e preço de segunda mão daqui a três ou quatro anos.
O que mudou desde junho: Uma reconfiguração no topo
Em junho, escrevemos sobre um mercado em aceleração. Em agosto, o topo da tabela já não é o mesmo e isso tem implicações concretas para quem compra usado.
Em junho, a Tesla liderava com folga. Em agosto, a BMW ocupa o primeiro lugar com 627 unidades e a Mercedes-Benz sobe para segundo com 556, um crescimento de 162,3% face ao mesmo mês do ano anterior. A Tesla desce para fora do top 5 em agosto, com apenas 148 unidades, uma queda de 36,5% que reflete sazonalidade e gestão de inventário, mas que vale a pena acompanhar.
O que isto muda para o mercado de usados?
Nos próximos dois a três anos, vão aparecer cada vez mais iX, i4, EQA e EQB com 2 a 4 anos de uso e quilometragens médias, modelos premium que hoje custam 50.000 € a 80.000 € de novo, e que no mercado de usados de 2028 a 2029 se vão posicionar num patamar muito mais acessível. É um segmento que na byrd já estamos a preparar para acolher com os critérios técnicos adequados.
A BYD regista uma ligeira descida em agosto (-4,4%), mas mantém-se como a marca chinesa mais vendida no acumulado, com 3.331 unidades. Nada que altere o que escrevemos em junho: continua a ser a marca chinesa com melhor rede de suporte em Portugal e o historial mais sólido no mercado de usados. A Leapmotor merece menção especial: 218 unidades em agosto, com um crescimento de +2.322%, a parceria com a Stellantis está claramente a fazer diferença na disponibilidade e no suporte.
O que os dados de agosto confirmam definitivamente
Três conclusões que os números de agosto tornam impossível de ignorar:
O elétrico puro é a escolha do mercado. A queda dos PHEV e o crescimento de 65,2% dos BEV não são acidente estatístico, são a direção clara de um mercado que tomou uma decisão. Quem ainda está em dúvida entre um híbrido plug-in e um 100% elétrico, agosto deu a resposta.
A diversidade de marcas é real e exige critério. Com Changan (514 unidades no acumulado), Jaecoo (269), NIO (113) e Omoda (225) a entrar sem historial verificável em Portugal, o mercado de usados dos próximos anos vai incluir muitas marcas sobre as quais há muito pouca informação técnica disponível. A regra continua a ser a mesma: rede de assistência confirmada, diagnóstico de bateria obrigatório, historial verificado.
73,8% não é um pico, é um novo patamar.
Em junho eram 68%. Em agosto são 73,8%. A trajetória é inequívoca, e não há razão para acreditar que vai inverter. Portugal está a tornar-se um dos mercados elétricos mais maduros da Europa, o que é uma excelente notícia para quem já tem um elétrico, e uma razão ainda mais forte para quem ainda está a pensar.
NOTA
Agosto de 2026 não foi apenas mais um mês de dados. Foi o mês em que o elétrico passou a ser maioria clara no mercado automóvel português e em que as decisões de compra no segmento de usados se tornaram, ao mesmo tempo, mais informadas e mais complexas.
Na byrd, o nosso trabalho é simplificar essa complexidade: encontrar os elétricos certos, verificar o que não está visível num anúncio, e ajudar cada cliente a tomar uma decisão que faça sentido para o seu perfil, sem pressão e sem pressa.
Se os dados de agosto levantaram questões sobre o momento certo para comprar, ou sobre o modelo que melhor se adapta ao que precisa, fale connosco!
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Fontes
ACAP — Associação Automóvel de Portugal, Press Release PR/Nº50, 1 de setembro de 2026.
Dados de origem: Autoridade Tributária (AT).
Dados detalhados por marca: ACAP LP_BEV agosto 2026.



