A lógica do carregamento: Perceber antes de calcular

Um carro elétrico consome energia em kWh (quilowatt-hora), tal como os eletrodomésticos de casa. A maioria dos elétricos do segmento médio consome entre 15 e 20 kWh por cada 100 kms percorridos, dependendo do modelo, do estilo de condução e das condições climáticas.

O custo de carregar é, portanto, simples: kWh consumidos × preço por kWh = custo total.

O que muda drasticamente é o preço por kWh e essa variável depende de onde carrega.

Opção 1: Carregar em casa

Carregar em casa é, sem exceção, a opção mais económica disponível em Portugal.

Em junho de 2026, o melhor preço de kWh de eletricidade em Portugal é de 0,1348 €/kWh (G9 Energy), com a EDP a praticar 0,1420 €/kWh e o mercado regulado da ERSE em 0,1658 €/kWh. Para efeitos práticos, quem já tem contrato com um fornecedor habitual paga entre 0,14 € e 0,17 € por kWh em tarifa simples.

Se optar por uma tarifa bi-horária, pode carregar em horas de vazio, tipicamente entre as 22h e as 8h, a preços ainda mais baixos, o que faz sentido para a maioria dos proprietários de EV que carregam durante a noite.

O que isto significa na prática

Tomando como referência um consumo médio de 17 kWh/100 km e um preço de 0,15 €/kWh em casa:

100 km -> 17 kWh -> 2,55 €

500 km -> 85 kWh -> 12,75 €

15.000 km/ano -> 2.550 kWh -> 382,50 €/ano

Para quem percorre 15.000 km por ano (a média portuguesa) o custo anual de carregamento em casa ronda os 350 € a 420 €. Um carro a gasolina equivalente, com consumo de 6,5 L/100 km e gasolina a 1,75 €/L, custaria cerca de 1.706 €/ano em combustível. A diferença é de mais de 1.300 € por ano.

Devo utilizar uma wallbox ou tomada normal?

Carregar numa tomada doméstica comum (Schuko, 2,3 kW) é possível mas é um procedimento lento, uma bateria de 50 kWh pode demorar mais de 20 horas a carregar completamente. Para uso diário, a solução recomendada é instalar uma wallbox (carregador doméstico de parede), que carrega a 7,4 kW ou 11 kW e reduz o tempo para 5 a 7 horas.

O custo de instalação de uma wallbox em Portugal situa-se entre 600 € e 1.200 €, incluindo equipamento e instalação. Na maioria dos casos, o investimento é recuperado em menos de um ano face à poupança gerada.

Na byrd, quando aconselhamos um cliente sobre a compra de um EV usado, incluímos sempre uma análise do perfil de utilização. Se percorre maioritariamente distâncias curtas e carregas em casa, o custo de carregamento deixa de ser uma preocupação, passa a ser uma vantagem competitiva face ao combustível.

Opção 2: Carregar na rede pública

Portugal tem uma das redes de carregamento público mais organizadas da Europa. A infraestrutura é gerida pelo Estado através da MOBI.E (Mobilidade Elétrica), uma empresa estatal que supervisiona a rede desde 2015 e exige que todos os postos públicos estejam ligados à plataforma e aceitem qualquer cartão CEME, o que garante interoperabilidade em todo o país.

Em 2024, a rede pública registou mais de 6,14 milhões de carregamentos em 16.561 pontos de carregamento ativos.

Quanto custa carregar num posto público?

Aqui a resposta é mais complexa e é onde muitos utilizadores são surpreendidos. O custo final num posto público é a soma de várias parcelas: energia consumida, utilização do posto (OPC) e impostos, podendo ainda existir outras componentes consoante o tarifário do comercializador CEME.

Na prática, os preços variam significativamente:

Normal (AC, até 22 kW) -> Lento (2–4h) -> 0,28 € – 0,35 €

Rápido (DC, 50–150 kW) -> Rápido (20–45 min) -> 0,45 € – 0,60 €

Ultra-rápido (DC, +150 kW) -> Muito rápido (<30 min) -> 0,55 € – 0,80 €

Foram levantados resultados em janeiro de 2025, onde se provou que os condutores que carregavam os seus carros na rede pública, gastavam cerca de 0,79€/kWh pelo carregamento rápido, valores que correspondiam a cinco vezes comparativamente ao carregamento feito em casa.

A boa notícia: a ERSE propôs para 2026 uma redução de cerca de 31,9% nas tarifas da rede pública, o que poderá representar uma poupança de 0,13 € por cada 100 km percorridos.

O que isto significa na prática

Usando os mesmos 15.000 km anuais, mas carregando sempre em postos rápidos públicos (0,55 €/kWh):

100 km -> 17 kWh -> 9,35 €

500 km -> 85 kWh -> 46,75 €

15.000 km/ano -> 2.550 kWh -> 1.402,50 €/ano

A diferença face ao carregamento doméstico é de quase 1.000 € por ano, apenas por ter em conta onde carrega.

A estratégia inteligente: Combinar os dois

A maioria dos proprietários de EVs em Portugal usa uma estratégia mista que faz todo o sentido:

80–90% do carregamento em casa: Para a utilização diária (casa, trabalho, compras). Preço baixo, comodidade máxima, sem filas.

10–20% na rede pública: Para viagens longas, emergências ou quando não há possibilidade de carregar em casa. Aceitar o custo mais alto como exceção, não como regra.

Segundo dados da MOBI.E, um carro elétrico pode gastar menos 11% a 72% por ano em combustível face a um convencional, se percorrer 16.000 km, pode poupar entre 160 € e 1.025 €, dependendo de onde carrega.

Tem garagem? A decisão fica ainda mais clara

Se tem garagem ou lugar de estacionamento privado onde possa instalar uma wallbox, a equação é inequívoca: um elétrico carregado em casa é a forma mais barata de se deslocar em Portugal, superando inclusive os carros a GPL ou híbridos.

Se não tem acesso a carregamento doméstico, uma situação comum em apartamentos sem infraestrutura, a análise muda. Nesse caso, dependerá da rede pública com mais frequência, o que reduz (mas não elimina) a vantagem económica do elétrico.

Na byrd, esta é uma das primeiras perguntas que fazemos: tem onde carregar em casa? Não porque condicione a compra, pois há soluções para quase todas as situações, mas porque define qual o perfil de EV que faz mais sentido para o seu caso específico. Um elétrico com bateria maior pode ser preferível se dependes da rede pública; uma bateria mais pequena é suficiente se carrega todos os dias em casa

Resumo: Casa vs. rua em números

Preço médio por kWh

Carregamento em casa - 0,14 € – 0,17 €

vs.

Carregamento na rede pública - 0,45 € – 0,60 €

Custo por 100 km

Carregamento em casa - ~2,50 €

vs.

Carregamento na rede pública - ~8,50 € – 10,00 €

Custo anual (15.000 km)

Carregamento em casa - ~380 €

vs.

Carregamento na rede pública - ~1.300 € – 1.500 €

Conveniência

Carregamento em casa - Alta (carregas a dormir)

vs.

Carregamento na rede pública - Média (depende de posto disponível)

Investimento inicial

Carregamento em casa - 600 € – 1.200 € (wallbox)

vs.

Carregamento na rede pública - Nenhum

Viva 100% elétrico com a byrd!

Se está a avaliar se um elétrico faz sentido financeiro para o seu caso, fale com a equipa byrd antes de decidir. Ajudamos a perceber, sem compromisso, qual o modelo e o perfil de carregamento que melhor se adapta à sua rotina.

Ver stock de elétricos disponíveis na byrd

Fontes:

Comparamais.pt (preços kWh junho 2026);

ERSE / Razão Automóvel (tarifas rede pública 2026);

MOBI.E / Electroverse (preços carregamento rápido);

Repsol (estrutura tarifária MOBI.E 2026);

MOBI.E / Carglass (poupança anual EV vs combustão).